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Formação Inicial

    

     Formação Inicial
           
            “Toda formação é, antes de tudo, obra do Espírito Santo, que vivifica a partir de dentro tanto os formadores como os formandos. A formação ativa requer a colaboração dos formandos que são os principais agentes e responsáveis do próprio desenvolvimento. Todo frade é, ao mesmo tempo e durante toda a vida, formando e formador, porque sempre tem o que aprender e o que ensinar, em relação a todos; este princípio deve constar como programa de formação e deve ser posto em prática” Const. 23.

     As Conclusões Capitulares prescrevem...

   4.1. Proporcionar aos vocacionados formação integrada e integradora propondo com clareza Jesus Cristo e seu Evangelho como Regra e Vida.

   O processo formativo de nossos seminários há muito tempo caminha nesta direção. Ao aprovar esta conclusão, os capitulares nada mais pretendiam que chamar nossa atenção para o assunto. De acordo com as Constituições, citadas acima, somos todos  responsáveis pela formação, ainda que não estejamos ligados diretamente a essa atividade.
   De fato, a formação não pode deixar de ser integrada e integradora, visando evidentemente,  toda a dimensão formativa do jovem. Uma formação que não levasse em conta essa proposta seria desastrosa para o indivíduo a quem ela se dirige, como para a organização, no caso a Província e por consequência para Ordem.
   “Jesus Cristo e o seu Evangelho” constituem-se no motivo que é começo, meio e fim de toda a proposta feita ao cristão. O candidato à vida religiosa, pelo fato de estar na busca da perfeição cristã, a ele deve-se propor com mais intensidade, consequentemente. Ele está se preparando para a vida religiosa franciscana; e o Evangelho é, de acordo com proposta de São Francisco, “Regra e Vida”.

   4.2. Oferecer estudos acadêmicos com reconhecimento do MEC.

   Há muito se vem pleiteando essa condição para os estudos na Província. Para nós que fizemos o reconhecimento dos cursos de Filosofia e Teologia em Centros Universitários, após - e para alguns, bem após - o término do estudo seminarístico, sabemos o que isto significa em termos de sacrifício. Uma coisa é estar nos bancos escolares em situação normal de estudante, e outra é voltar a essa condição depois de anos envolvidos em outras atividades.
   Hoje, com nossos estudantes de teologia frequentando a Pontifícia Universidade Católica, podemos garantir o cumprimento deste item das Conclusões Capitulares. Mais do que isto, a PUC, com a seriedade e exigências, que conhecemos muito bem, coloca seus alunos  no mesmo nível, senão acima dos estudantes de outras Universidades. É evidente que isto depende de uma série de fatores; não só da seriedade da instituição escolar.

   4.3. Intensificar o acompanhamento personalizado, educando o formando para a co-responsabilidade e automanutenção.

   Este número contém uma densidade de propostas muito grande, assim como sérias exigências em relação aos formadores.
   O Capítulo reconhece que vem sendo feito o acompanhamento personalizado dos estudantes. Isto se comprova pelo termo utilizado, “intensificar”. Registramos aqui o nosso reconhecimento à equipe de formação da Província, em todos os estágios, por esse trabalho denodado. Ao mesmo tempo, temos lembrado a todos os envolvidos diretamente nesse processo, a importância de continuar sempre com maior dedicação, uma vez que as Conclusões Capitulares insistem.
   Se por um lado o número de estudantes tem diminuído nas últimas décadas, o que é ruim; o acompanhamento personalizado tem aumentado, o que é bom. Isto tem acontecido devido a insistência das orientações e pela facilitação em razão do menor número.
   É exatamente esse acompanhamento personalizado que vai fazendo desabrochar no jovem a consciência do que ele, sem ter no início clara visão, se propôs e o conduzirá àquela “co-responsabilidade” querida e exigida hoje na Ordem e na Província.
   A busca da “automanutenção” parece ser, em nossos dias, exigência e unanimidade, tanto em termos de formação como em termos de organização provincial. Conseguir o próprio sustento é altamente pedagógico. Não com trabalho que ponha em risco o bom aproveitamento nos  estudos, mas que faça parte do projeto formativo, com tempo distribuído equitativamente entre trabalho propriamente dito e estudo. 
   Disto nos dá exemplos a sociedade civil. Em muitos casos, os grandes profissionais não foram, no tempo de faculdade, os filhinhos de papai; mas aqueles que custearam  seus estudos, com o próprio trabalho.
   Nas casas de formação da Província temos uma organização que favorece e satisfaz em parte esta proposta Capitular. Temos ainda muito a fazer e os formadores sabem e estão empenhados nisto.

   4.4. Dar ênfase aos dons de cada formando sem perder a centralidade de nosso carisma franciscano-capuchinho.

   Em Boletins anteriores, tivemos a oportunidade de tratar deste assunto. Cada indivíduo tem seus dons, suas habilidades que são manifestações de Deus. Isto não é e não pode ser ignorado pelos formadores; estariam dificultando  o projeto de Deus. Na Ordem há espaço para o desempenho de todos os dons que Deus distribui com prodigalidade   a seus filhos.
   Por outro lado não se pode “perder a centralidade do nosso carisma”. As habilidades individuais devem estar a serviço da Ordem, da Província, da Fraternidade. É a questão dos Projetos. O Projeto provincial deve se sobrepor ao Projeto da fraternidade que por sua vez deve se sobrepor ao Projeto pessoal.

   4.5. Dar continuidade à especialização de freis em áreas afins do processo formativo.

   Isto também foi tratado anteriormente; o que não impede de o retomarmos aqui. A especialização dos freis é sempre algo querido e proveitoso. Seria ótimo se todos na Província tivessem alguma especialização, ou seja, tivessem um estudo universitário além do seu currículo seminarístico.

   4.6. Trabalhar com renovado ardor para aumentar o número de vocacionados para a nossa vida.

   Chegamos a um ponto decisivo das Conclusões Capitulares. Decisivo porque toda a “engrenagem” da formação depende desse trabalho. É possível que não tenhamos ainda suficiente consciência da importância do trabalho vocacional.
   Se não tivermos candidatos, não se justifica todo este aparato formativo da Província. Que bom, poderia dizer alguém. Não precisamos de tanto sacrifício para mantê-los. É verdade. Mas também dentro de algum tempo não teríamos mais Província. É uma família que se acaba. Eles são os nossos filhos e netos. Eles é que darão continuidade à nossa Missão no Paraná e Santa Catarina.
   Um santo Bispo, ao dar posse a um pároco e a um vigário paroquial religiosos, teria dito: “Se dentro de quatro anos vocês não despertarem aqui nenhuma vocação para a sua congregação, podem ir embora porque não estão trabalhando bem”.
   Quanto tempo faz que você está na paróquia? Quantas vocações capuchinhas você despertou, orientou e encaminhou?
   Merecem todo nosso reconhecimento os freis que estão mais diretamente ligados ao trabalho vocacional. Com raríssimas e dolorosas exceções, os freis da Província tem feito bom trabalho neste campo. Graças a esse empenho, temos tido anualmente considerável número de candidatos sendo iniciados na vida franciscana capuchinha, na Província.
   A Conclusão Capitular fala em “renovado ardor para aumentar”. Se há um bom número de candidatos entrando, o desejável é que seja maior esse número.  Sabemos que as defecções no decorrer do período formativo são grandes e, no fim do processo, estamos suprindo, ainda com deficiência, os que vão saindo de “combate”. Hoje estamos razoavelmente bem em termos vocacionais; contudo no passado foi melhor. Faz sentido acender a luzinha vermelha do alerta. Aliás ela está acesa há tempo.
   Ao encerrar, vale à pena relembrar as palavras do Ministro Geral: “Não existe nada de mais deseducativo do que a falta de coerência dos formadores, e todos somos formadores, pelo menos com o nosso exemplo. (...) Ou somos formadores ou nos tornamos deformadores!”.

                                                                      Curitiba, 24 de outubro de 2009.

                                   Frei Davi Nogueira Barboza, OFMCap
                                                 Ministro Provincial.

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     Projeto Missionário em      Rorainópolis-RR

     “Preocupa-me o fato que muitos se concentram primariamente sobre o que poderia vir a faltar a si mesmos, enquanto nos esquecemos facilmente das pessoas que ainda não conhecem o Evangelho ou que precisam ser acompanhadas em sua caminhada de integração dos valores cristãos” (fr. Mauro Jöhri, Ministro Geral).
     
    Nos primeiros dias de setembro, tive a oportunidade de visitar Rorainópolis em Roraima, onde a fraternidade capuchinha interprovincial desenvolve trabalho missionário. A cidade de Rorainópolis está aproximadamente a 300 quilômetros de Manaus e a 300 quilômetros de Boa Vista (capital). Ou seja, no meio do caminho entre Manaus e Boa Vista, às margens da BR 174.
A rodovia é asfaltada, parecida com as rodovias do interior do Paraná e Santa Catarina. O ônibus, que faz o percurso, é bom, do tipo executivo ou convencional, da Empresa Eucatur.
    Em Rorainópolis se encontram três freis de três diferentes circunscrições capu­chinhas do Brasil. Um do norte, o outro do nordeste e o terceiro do sul, respectivamente, da Vice-Província de Manaus, da Província do Ceará e Piauí e da Província do Paraná e Santa Catarina.
    Fiquei bem impressionado e edificado com o trabalho desenvolvido por aquela fraternidade junto a um povo carente e sofrido. Os religiosos assumem a Paróquia de Rorainópolis, segundo município mais populoso do Estado, com aproximadamente 24.000 habitantes. A maior parte da população se aglomera na cidade que lembra um pouco as vilas que se formavam no norte e sudoeste do Paraná na época da colonização; naturalmente com menos exuberância e mais pobreza.
    A fraternidade capuchinha está bem consolidada e desenvolve bonito trabalho pastoral junto àquela comunidade, formada por gente boa e acolhedora. É admirável a aceitação do seu trabalho por parte da população e o prestígio de que desfrutam os freis.
    Em reunião conjunta dos Ministros Provinciais, Bispo diocesano de Boa Vista (Roraima conta com única diocese) e fraternidade local, foi aberto amplo diálogo sobre a realidade missionária em Roraima, com as implicações sociais, políticas e econômicas.
    A Igreja de Roraima viveu, pelo que foi exposto na reunião por Dom Roque Paloschi, bispo diocesano, uma situação conflituosa. Essa situação persiste, pois a Igreja se coloca ao lado dos índios e dos pobres – nem podia ser diferente – e, com isto, bate de frente com os fazendeiros que se sentem lesados em seus interesses, nem sempre honestos e quase sempre mesquinhos e escusos.
    Quanto ao projeto missionário específico de Rorainópolis, foram avaliados o trabalho realizado e as expectativas futuras tanto dos Ministros Provinciais, como do Bispo e da fraternidade. Todos concordam que o projeto está sendo desenvolvido como se esperava, responde às necessidades da Igreja local, deve ser continuado e os freis envolvidos estão felizes. Porém o trabalho missionário em Roraima pode ser ampliado de acordo com a disponibilidade das Províncias em enviar novos elementos.  Ainda que, na minha humilde e despretensiosa opinião, naquela fraternidade e para aquela atividade a que se propõe, não há espaço para mais um elemento. Poderá ser em outro ambiente e em outro projeto.
    Além de percorrer as ruas da cidade e suas periferias, fiz questão também de visitar algumas comunidades do interior, que se situam ao longo das estradas vicinais.  Ainda que distantes, a todas elas pode-se chegar de carro, com exceção da época das chuvas. São extremamente pobres e os ambientes de culto (as igrejas), sempre rústicos e pequenos como a maioria das residências das famílias que vivem ao longo das vicinais. O número dos que frequentam as celebrações também é muito pequeno.
    A maioria da população, seja urbana como rural, proveniente de outros estados do norte e nordeste, preferencialmente do Maranhão, é pobre e tem pouquíssima noção e prática religiosa.
    Quanto ao ambiente físico, ou seja, a moradia dos freis, que foi ampliada com recursos provindos das Províncias, na minha opinião, deve passar ainda por algumas reformas para a sobrevivência digna daqueles filhos de São Francisco, sem contudo perder as características de simplicidade e pobreza da grande maioria da população. 
    Na opinião dos freis que integram o Projeto Missionário de Rorainópolis e do Bispo Diocesano, o trabalho  desenvolvido por aquela fraternidade é de extrema importância para a Igreja particular de Roraima. A sua extinção seria perda irreparável para a Igreja naquela região. De minha parte, como Ministro Provincial, concordo com os demais Ministros Provinciais que julgam o Projeto também  de grande importância e significado.
    Apesar do número reduzido de freis e da intensidade de trabalhos nas diversas circunscrições, o braço missionário das Províncias, além de um elemento formativo, é constitutivo do ser Franciscano e Capuchinho. Quem conhece Francisco de Assis e seu projeto de vida sabe que não dá para dissociar Franciscanismo de Missionalidade.

                                        Curitiba, 16 de setembro de 2009.

                                                                       Frei Davi Nogueira Barboza, OFMCap
                                                                                              Ministro Provincial.

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     Formação Permanente

     O Ministro Geral, no número 29 da carta Reacendamos a Chama do Nosso Carisma, diz: “Aos  responsáveis pelas várias Circunscrições quero lembrar o quanto é importante a formação permanente entendida como caminho contínuo de renovação da nossa vida”. Todos estamos mais que convencidos disto.
      O Capítulo Provincial não se furtou a essa evidência e deu orientações precisas, que retomamos neste espaço.

     2.1. Promover retiros e reciclagens em pequenos grupos, preferencialmente com a mesma dinâmica dos 21 dias.
     A experiência dos 21 dias, feita em 2007, foi avaliada pela totalidade dos freis como altamente positiva. É evidente que nem tudo funcionou como gostaríamos. As falhas foram apontadas na avaliação final de cada grupo e levadas em consideração pelos responsáveis. Alguns itens poderiam ter sido melhores, como acontece em todos os eventos. A maioria dos grupos lamentou as ausências, ainda que justificadas. A lealdade e veracidade das avaliações são comprovadas pelo fato de os capitulares pedirem que “preferencialmente” os retiros e reciclagens do próximo triênio, sejam feitos nessa modalidade.
     Em se tratando de encontros de retiros e reciclagens teológicas, precisamos superar velhos ranços que ainda hoje marcam a resistência de alguns em comparecer. As justificativas para isso são as mais variadas, estranhas e bizarras. 

      2.2. Na especialização dos freis sejam respeitadas as necessidades e prioridades da Província.

     Especializar-se é sempre coisa boa, tanto para suprir as necessidades da Província, como para o próprio crescimento dos indivíduos. Mas os freis capitulares, ainda que não excluindo outras motivações, pedem, com justiça, que sejam respeitadas as necessidades e prioridades da Província.
Embora tenhamos freis com especialização em quase todas as áreas da formação, alguns deles, por razões diversas, “estão fora de combate”. Consequentemente há necessidade  de repor essas peças. Peças, com todo o respeito e no sentido mais nobre da palavra.
     Percebemos, então, a preocupação, assim como a sensibilidade dos freis presentes no Capítulo, ao  aprovar este item das Conclusões Capitulares.

     2.3. Incentivar a boa convivência dos freis através dos projetos fraternos, recreações e visitas entre as fraternidades.
Retomamos aqui os “Projetos Fraternos” que aparecem agora como elemento importante para a boa convivência fraterna. Não restam dúvidas de que o Projeto Fraterno, bem elaborado, é determinante para boa convivência entre os freis da mesma fraternidade, tornando-se também eficiente instrumento de formação permanente.
    É sintomático que a decisão capitular fale de recreações e de visitas entre as fraternidades. Para os sisudos esquemas capuchinhos de tempos não muito distantes, essas proposições do Capítulo poderiam parecer leviandades, quando não, respingos de laxismo e mundanismo. Mas não é. Numa visão realista e coerente da vida moderna, percebemos a lógica desta proposta. Ninguém nega hoje a necessidade, para a saúde física e mental, de momentos de lazer. Não é segredo para ninguém que a recreação, a festa, é elemento indispensável no dia-a-dia do ser humano.
     Há algumas décadas, foi proposta e exigida a folga semanal dos freis, assim como as férias anuais. Há quem tenha comprovado, com estatísticas, que a partir dessas exigências, os acidentes rodoviários envolvendo freis, diminuíram sensivelmente. Ainda há quem julgue irresponsabilidade perder tempo com férias e dias semanais de descanso, quando há tanta gente precisando do nosso trabalho.  É verdade: 30 dias de férias e um dia semanal de folga significam quase três meses a menos de trabalho, durante o ano. Quantas celebrações, visitas a doentes, pregações, atendimentos, poderíamos fazer nesses noventa dias que folgamos no ano.  À primeira vista, parece absurdo que quase um quarto do nosso tempo, seja descanso e  lazer. Não é muita moleza?!
     Sabemos como São Francisco detestava o frade preguiçoso e o chamava de “frade mosca”. Porém, uma análise fria e objetiva deste quadro, nos leva a serena e honesta conclusão: Ainda que os pobres, pobres, não tenham esse privilégio de férias anuais e folga semanal – e nós somos pobres –, a faixa social na qual nos incluímos, sem falso moralismo, tem essas regalias. Além do que, essa faixa social desfruta da aposentadoria de modo diverso do nosso. Os freis se aposentam e continuam trabalhando; a maioria deles, no mesmo ritmo.
Por outro lado, sem férias e sem descanso semanal, com certeza, as perdas seriam muito maiores, até mesmo para o povo de Deus: saúde debilitada, fraternidade prejudicada, frades estressados chutando  sombras, vida encurtada (sem falar no risco maior de acidentes rodoviários, decorrentes do cansaço e do estresse)  e as pessoas mal atendidas. Não podemos, contudo, esquecer que temos, como todo o povo de Deus, e muitos freis inclusive em força do salário que recebem, o dever moral de trabalhar, ao menos oito horas diárias.
A decisão capitular fala também de “visitas entre as fraternidades”. É curioso como nós quase não nos visitamos. Reduzimos nossos encontros, entre confrades, praticamente àqueles prescritos pelas normas e orientações provinciais (retiros, reciclagens, assembléias, reuniões de setor, algum trabalho conjunto).
     Não é de agora que se fala nessa possibilidade de mais frequentes encontros entre os freis, através de visitas a outras fraternidades. Perguntemos: desde que integramos esta fraternidade (a nossa), quantas vezes saímos de casa, num dia de folga, para visitar os coirmãos da fraternidade vizinha, ou outra até mais distante?
     Aproveitemos o nosso dia de folga de  modo mais inteligente do que ficar atrás da tela de computador. Em termos de descanso e descontração, nada substitui um bom bate papo, um jogo de baralho, melhor ainda, uma pescaria com os colegas.

     3.4. Criar em Londrina o centro bíblico-teológico de pesquisa e assessoria da Província.
     Digamos que o espaço físico está criado em Londrina. Independente das opiniões mais controversas e controvertidas em torno da construção do Convento Santa Clara, o prédio tem instalações que se prestam para essa finalidade. Instalada ali a Biblioteca central da Província com considerável acervo de obras teológicas de todas as áreas, possibilita, com eficácia, trabalhos de pesquisa bibliográfica. As demais instalações, tais como capela, quartos, sala de reunião, sala de estar, de recreação e outras dependências, criam espaço silencioso e favorável ao estudo e reflexão.
     No que se refere ao quadro de pessoal especializado, estamos em fase de organização e temos ainda algumas deficiências por razões óbvias. Porém, o trabalho nessa direção foi iniciado e, aos poucos, pode e deve crescer. Infelizmente, não existe muito, em nosso ambiente de Província, a cultura do trabalho intelectual. Ainda que tenhamos confrades dispersos pelas várias fraternidades que poderiam se prestar a essa atividade, por razões, as mais diversas, preferiram o trabalho pastoral.
     Não há nenhuma dúvida de que os superiores, movidos pelas Conclusões Capitulares, estão empenhados no compromisso de favorecer e comprometer-se para que isto aconteça, sem nenhuma imposição e intervenção, naturalmente. Esperemos que, com o apoio de todos, esse projeto de fato deslanche e se consolide no espaço de tempo mais breve possível.

      Aqui fica, nosso apelo: se você se sente chamado para esse tipo de trabalho e tem alguma habilidade, candidate-se.


                                                                                                       Curitiba, 21 de julho de 2009
                                       Frei Davi N. Barboza, OFMCap
                                                 Ministro Provincial.

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      Governo Provincial

        No BIP do mês de abril refletimos sobre nossa Identidade/Missão, aprovada no último Capítulo Provincial. Hoje vamos traçar, despretensiosamente, algumas considerações sobre o número um das Conclusões Capitulares. Despretensiosas porque não se trata de interpretação ou reinterpretação aprofundada e definitiva deste item. Trata-se muito mais de retomar essas Conclusões para que não fiquem esquecidas e sem efeito, como letra morta.

     O governo da Ordem
     O assunto é Governo Provincial. Lembremos que todo o capítulo VIII das nossas Constituições trata do Governo da Ordem ou da Fraternidade. O governo provincial é tratado nos números 124 ao 132. Vale a pena, para sermos fiéis às normas que regem nossa vida, dar uma olhadinha.
     O Governo da Ordem, segundo as Constituições, pretende enquadrar-se no modelo proposto por Jesus no Evangelho; não exercido nos moldes do governo das nações.  Não é rigorosamente democrático; ele é mais que democrático, é fraterno. Mesmo que as coisas pareçam semelhantes, são bem diferentes uma da outra.

     O governo na Província
     O número um das Conclusões Capitulares, aprovadas de forma definitiva no dia 9 de outubro passado, diz:
     1.1. O governo provincial tenha presença afetiva e efetiva na vida fraterna e apostólica, dando continuidade ao processo participativo: diálogo, respeito, cuidado fraternal.
     Tendo passado alguns meses da aprovação destas Conclusões, é bem possível que nossos comentários não se apresentem com a mesma coloração que poderiam ter se fossem feitos imediatamente após o Capítulo. É possível até que prescinda daquele contexto que levou os capitulares a aprovarem, por unanimidade, este item.
     Os predicados pós postos, na formulação do item citado,  à “presença do governo provincial” tem a ver certamente com atitudes concretas, reais, objetivas, mas acima de tudo, humanas; pois o primeiro predicado é  “afetiva”.
     Esse detalhe não parece ser ocasional. De fato, governo diz respeito à orientação, segurança e norteamento. Mas tudo isto só é possível, se da parte de quem o exerce, houver significativa dose de sensibilidade. Mais do que dedo em riste, corrige e orienta com eficácia, o sentar-se lado a lado, mãos no  ombro e longas conversas ao pé do ouvido.  Não é mais segredo para ninguém que, a  correção eficaz só é possível quando precedida por atitudes  que manifestem verdadeiro amor fraterno.
     Essa presença, requerida pelos freis da Província, deve também ser “efetiva”, ou seja, real, de fato e em qualquer situação em que se encontrem os religiosos. Lembra a Conclusão Capitular: “na vida fraterna e apostólica”. Se entendemos bem, significa, presença no dia-a-dia dos irmãos, seja partilhando e amparando sua jornada dentro da fraternidade, seja nos seus trabalhos apostólicos ou nas mais diversas atividades. Pelo que se pode deduzir, o Capítulo sugere a presença do superior como um irmão mais velho, experiente, sábio, maduro, seguro, amoroso e simpático. Talvez tenhamos que mandar fazer um superior assim. Contudo, acreditamos que, com algumas (muitas)  limitações, podemos de fato tê-lo.
     O “Processo participativo” de que fala a Conclusão Capitular foi desencadeado em nossos ambientes, há algumas décadas, e não dá para negar que tem produzido bons frutos em termos de  co-responsabilidade com as coisas da Província. Mas sabemos, e é a proposta do Capítulo, que é preciso “dar (só trocamos o tempo do verbo) continuidade” a esse Processo, retomando com mais empenho “o diálogo, o respeito e o cuidado fraternal”. Isto não significa, da parte do superior, abdicar da sua autoridade, mas exercê-la, mais do que o poder. O poder sim podemos abdicá-lo, a autoridade não. E só exerce o poder, às vezes até com truculência, quem já perdeu a autoridade. Isto vale para todas a instancias de direção na Ordem, do Ministro Geral ao Vigário local e outras lideranças.

     Capítulo local e Projeto fraterno
     1.2. Toda fraternidade elabore seu projeto fraterno; viva-o com fé e celebre, no mínimo, três Capítulos Locais por ano.
     Poderíamos começar pelo “Capítulo Local” que é um dos instrumentos ou instâncias de governo na Ordem Franciscana Capuchinha. Embora se tenha falado muito desse instrumento, parece que ainda não entrou bem no nosso cotidiano. Algumas fraternidades ainda não sentiram a importância do Capítulo Local. Outras o fazem, mas sem conhecê-lo suficientemente, e, por isso, não alcança os efeitos esperados e desejados.
     O Capítulo Local é para a Fraternidade o que o Capítulo Geral é para a Ordem e o Capítulo Provincial é para a Província. O Capítulo Geral e Provincial são preparados, com muito empenho e dedicação, por meses, e na celebração, revestidos de certa solenidade. Enquanto que o Capítulo Local, como temos testemunhado em algumas situações, não tem tido toda aquela preparação requerida; é apenas comunicado pelo Guardião, na Oração da manhã do dia em que vai se realizar. Digamos ainda que o Capítulo Local deva ter certa formalidade. Não formalismo.  Formalidade no sentido que tenha formas definidas, tais como: pauta bem elaborada, anúncio com suficiente antecedência e tempo bastante para sua realização, sem atropelos.
     O outro elemento importante que compõe o item 1.2 das nossas Conclusões Capitulares é Projeto Fraterno”. O Projeto Fraterno é elemento relativamente novo na Província. Se frei Henrique de Treviso, frei Jacinto Govasky e até talvez, frei Orlando Busatto – por um admirável prodígio voltassem subitamente ao nosso convívio – não saberiam dizer o que significa.
     Com o surgimento dos Projetos Pessoais de Vida  (PPVs), por extensão e consequência lógicas, surgiram também os Projetos Fraternos. Assim como se tem o Projeto pessoal, tem-se também o Projeto fraterno. Hoje ele é indispensável expediente para o bom andamento da vida em fraternidade. Isto não é suposição, mas constatação, pelos resultados conseguidos, lá onde o Projeto Fraterno é bem elaborado e levado a sério.
     Como se vê, não se trata de apenas elaborar belo Pro            jeto Fraterno, enviando cópia colorida à Secretaria da Província e guardando a outra no arquivo da Fraternidade. O Projeto Fraterno deve ser instrumento de trabalho. Deverá estar sempre sobre nossa mesa, ao nosso alcance, para constante avaliação de nossa vida, nos capítulos locais e reuniões de fraternidade. Do contrário, terá sido perda de tempo a sua elaboração e entulho a mais em nossas gavetas.

     Os Setores
     1.3. O governo provincial reestruture e dinamize os setores como instrumento de animação fraterna.
     Antes de tudo, é bom saber que, esta conclusão é uma evidência de que o Capítulo, ou seja, os freis, acreditam na importância dos Setores para a vida da Província. Ao contrário, não iriam aprovar, por unanimidade, esta proposta.
     Os Setores, na medida do possível, estão bem organizados e estruturados. O que falta, pelo que vimos e ouvimos, são pequenos ajustes. Devido às distâncias entre as casas, assim como pelo seu pequeno número em Santa Catarina e pelo abandono de algumas no Paraná, é impossível uma divisão ideal dos Setores. Em algumas situações, ou constituímos um Setor com apenas uma casa e daí perde-se o sentido de Setor, ou montamos Setores com casas muito distantes umas das outras, dificultando a participação.
     Aproveitamos o ensejo para pequena reflexão sobre Setores, dos quais dependeu, em grande parte, o trabalho de animação da vida fraterna e de formação permanente.
     O Setor é antiga herança que remonta aos tempos da visita do Ministro Provincial da Província-mãe de Veneza, fr. Zacarias de São Mauro, quando frei Nereu José Bassi era o Custódio Provincial. Na carta conclusiva da visita, escrita em maio de 1955, anexou diversas determinações para a então Custódia. A determinação nº 4 criou três novos “distritos” (=Setor): 1. Siqueira Campos, que compreendia Jaguariaíva, Tomazina, Venceslau Braz e Joaquim Távora; 2. Uraí, que compreendia Jataizinho, Congonhinhas e São Jerônimo da Serra; 3. Mandaguaçu, que compreendia Alto Paraná e Cruzeiro do Oeste. Cada “Distrito” tinha um Presidente, “com a autoridade e prerrogativas que a tal ofício concedem nossas leis”. O sucessor de fr. Nereu Bassi, fr. Patrício Kódermaz, organizou melhor esses “Distritos” que passaram a ser chamados Setores. A finalidade original dos “Distritos” era “favorecer desenvolvimento mais congruente com nossa forma de vida, em condições de associar de modo mais eficiente ao ministério das almas, a manutenção e o cuidado do bem espiritual aos religiosos”.
     Com momentos fortes e outros menos fortes, com mais ou menos entusiasmo, dependendo das épocas e das regiões, os Setores funcionaram durante esse tempo todo. Na medida do empenho dos seus membros, colheram-se mais ou menos frutos em termos de animação fraterna e de formação permanente.
     Hoje sentimos a necessidade de um revigoramento dos Setores, pois a Província, como vimos nas Conclusões Capitulares, continua acreditando neles. Não há nenhuma mágica, nenhum mistério também. Se votamos essa proposta, necessitamos de maior empenho por parte de todos. Os Superiores e a Secretaria de Formação Permanente a que os Setores estão afetos, farão a sua parte em termos de oferecer subsídios e animação.
     É sempre bom lembrar ou relembrar que a  reunião do Setor, além de ser momento privilegiado de formação permanente, é acima de tudo momento de Fraternidade (que, por sua vez, não deixa também de ser formação permanente).
     Fraternidade é o modo de ser franciscano e capuchi­nho; o que implica num treinamento, num aprendizado. Qualquer ministério que exerçamos como frades (porteiro, secretário, hortelão, professor, pároco, superior, guardião, vigário, enfermeiro, etc.),  deve levar a marca franciscana da fraternidade. É necessário que façamos, portanto, das nossas reuniões de Setor, exercícios de fraternidade. Usemos de criatividade para transformar a nossa reunião de Setor, num forte momento de amor fraterno. Não nos conformemos com apenas algumas horas de reunião, mas batalhemos para que seja mesmo um dia de encontro do Setor. 
     Sabemos que todos são muito ocupados; tem muito trabalho; são muito importantes para a sua comunidade. Mas é exatamente por isso  que devemos cultivar a fraternidade, uma vez que a fraternidade é o instrumento de pastoral do frade capuchinho.
     Nossa comunidade paroquial ou qualquer outra em que atuamos, não vai se prejudicar com nossa ausência para participar numa brincadeira, num jogo de cartas  ou em outra qualquer recreação com nossos confrades. Ao contrário, vai se beneficiar; porque nós voltaremos ao nosso trabalho, mais fraternos, mais irmãos, mais capuchinhos; portanto, mais eficientes. Os que conosco convivem não só serão beneficiados, mas também edificados, sabendo que estamos nos preparando para melhor servi-los.
     Não deixemos que as nossas Conclusões Capitulares fiquem esquecidas.

                                         Fraternas saudações do irmão e amigo.



                                                                                 Curitiba, 28 de maio de 2009

                                           Fr. Davi Nogueira Barboza, OFMCaz
                                                         Ministro Provincial.

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     IDENTIDADE-MISSAO

      Tendo passado mais de meio ano, é possível olhar o XIV Capítulo Provincial e suas Conclusões com certa isenção e objetividade; sem aquela tensão e emoção próprias do momento imediatamente posterior.
    A nova etapa, que iniciamos, se apresenta como grande desafio. Nem podíamos esperar que fosse diferente. Cada época apresenta desafios e desafios novos que exigem também soluções novas. Desafio
s na Formação Inicial, na Formação Permanente, na Pastoral, na Administração dos bens e no Governo Provincial.

Rumos precisos
    A Província tem rumos bem precisos e fomos nós mesmos que os traçamos.  Temos Projetos claros, nas áreas previstas, para esta nova etapa. Se esses Projetos não são suficientemente grandes e audaciosos como gostaríamos, a culpa é totalmente nossa. Fomos nós que os elaboramos. Os projetos provinciais  não surgem do nada. Grandiosos ou humildes eles merecem nosso empenho.
    Quantas vezes, no passado, projetos – que foram objeto de prolongados e por vezes acalorados debates – acabaram consumidos pela traça no fundo de uma gaveta ou amarelados numa pasta de arquivo.
    Agora os projetos estudados individualmente e, posteriormente, elaborados em cansativas reuniões de Fraternidade, de Setores, da Comissão Pré-capitular e aprovados no  Capítulo, terão o mesmo destino, se não os retomarmos com a dedicação de quem acredita na vida religiosa e na Província.

História gloriosa
    A Província tem história gloriosa, que foi construída às duras penas pelos nossos antepassados e, em parte, por nós mesmos. Esse é o patrimônio que nos foi legado e que devemos passar aos que vierem depois de nós.
    É bom saber que todas as vezes que não assumimos o que nos compete, todas as vezes que nos acovardamos diante dos desafios, sejam das fraternidades, sejam da Província, estamos escrevendo páginas negativas dessa história.
    Embora possa ser profundamente angustiante, precisamos saber que, essas páginas da história trarão a nossa assinatura.
    Como contribuir positivamente com a construção de uma história tão gloriosa como a que recebemos dos nossos antepassados? A resposta parece evidente:
*- É não nos furtando aos apelos atuais da Igreja, da Ordem  e da própria Província;
*- lendo os sinais dos tempos e intervindo pro-ativamente;
*- não fugindo às nossas responsabilidades e àquilo a que somos chamados, nas pequenas  mas indispensáveis atividades do quotidiano: às vezes é a Igreja que nos convoca; outras vezes é a Província que nos chama a assumir alguma liderança; e outras ainda, e com mais frequência, a própria  fraternidade local.

A nossa Missão
    É neste contexto que gostaríamos de retomar hoje, não todas as decisões capitulares (ocuparíamos muito espaço),  mas  apenas a Missão que aprovamos, por unanimidade de votos. Vejamos:

            “Ser testemunho de vida fraterna minorítica e penitente, vivendo e anunciando profeticamente Jesus Cristo e seu Evangelho, atentos aos sinais dos tempos e os clamores dos excluídos, em comunhão eclesial, para edificar o Reino de Deus no Paraná e Santa Catarina”.

    Aqui está o sentido do nosso existir, como religiosos capuchinhos, neste  espaço que nos foi confiado, no Paraná e Santa Catarina; seja nos Conventos, nas Paróquias ou em qualquer outra atividade. 
    É a partir desta Missão Provincial que deve ser elaborada ou re-elaborada a Missão de cada fraternidade capuchinha espalhada pela Província. Cada Fraternidade, no seu Projeto fraterno, não pode substituir a Missão Provincial, por uma local, mas, com honestidade e lealdade reinterpretá-la.
    Para facilitar esse trabalho situemo-nos no espaço físico de nossa Fraternidade Local e retomemos cada um dos conceitos consignados na Missão que aprovamos para a nossa Província:

“Ser testemunho”...

    Quer dizer, aparecer para os outros. Não é “parecer”. É aparecer, é ser, é mostrar coerentemente. Os outros, os fiéis, os funcionários da nossa comunidade, os que condividem nosso dia a dia, enfim todos os que nos cercam precisam tomar conhecimento.... do que?
- de uma “vida fraterna minorítica”.  É isto que devemos ser. “Fraternidade” vem de “frater” = irmão. Será que os membros da nossa fraternidade, aqueles que convivem conosco sob o mesmo teto, vivem a mesma vida religiosa, professaram os mesmos votos, são mesmo tratados por nós como irmãos? Ou são nossos concorrentes, adversários ou pior ainda, inimigos?
    Como podemos ser fraternidade se não nos alegramos com suas alegrias, não aplaudimos seus sucessos, não partilhamos seus momentos difíceis; se não nos damos um tempo para estar juntos, rezar, conversar, fazer alguma recreação, “perder” um pouco de tempo com eles?
    Há um componente agregado ao conceito fraternidade, no contexto da nossa Identidade/Missão, que não pode ficar esquecido. Ela é: “minorítica”. Adjetivo autenticamente franciscano. Somos os menores.
*- É a marca daquele que não se engrandece, daquele que se contenta com o mínimo suficiente para viver;
*- é a condição daquele que busca todos os recursos para bem servir e não para ser servido;
*- é a marca daquele que procura aprender o máximo, não para ser chamado doutor, mestre, mas para ensinar, colaborar.
   Como é o nosso interior, nossa casa interna e externa? Podemos dizer que nossa fraternidade é “minorítica” e que somos mesmo menores?
   O outro conceito agregado à fraternidade é consequência da minoridade: “penitente”. Parece que este elemento tem andado meio em desuso. Não se pode esquecer que, nos primórdios da Ordem, fomos chamados de “Os penitentes de Assis”.
    A fidelidade a Francisco e a seu projeto, implica neste componente que é fontal. A refundação da Vida Religiosa exige retomada dos valores da origem. Voltar às origens é revitalizar, é fazer renascer.
    Todo o Capítulo VII das nossas Constituições é dedicado à penitência. O Ministro Geral na carta, Reacendamos a Chama do Nosso Carisma, diz: “Está aqui o conteúdo de um dos valores típicos de nossa reforma, o da austeridade”. A seguir cita as Constituições: “O espírito de penitência em uma vida austera é próprio de nossa Ordem; pois escolhemos uma vida dura a exemplo de Cristo e de São Francisco” (Const.101,5). Será que podemos nos chamar “penitentes” se temos sempre mais do que o necessário e até abusamos do supérfluo?
“...vivendo e anunciando profeticamente Jesus Cristo e seu Evangelho...”

   Qual o significado desta expressão? Parece que o acento está no “profeticamente”. Quem foram os profetas? Homens que radicalizaram a vivência de sua missão; que levaram até as últimas consequências o seu mister.
    É assim que somos chamados a viver e anunciar Jesus Cristo e o seu Evangelho. Com radicalidade. Sem meias medidas. Sem medo das conseqüências. É evidente que isto não significa agir com imprudência, de modo inconsequente. Mas não pode acontecer que a pretexto de “certas atitudes prudentes” – que mais tem a ver com marasmo e pusilanimidade – tenhamos uma vivência morna de nossa vocação e demos frágil testemunho que não convence, não converte e não desperta vocações.
“...atentos aos sinais dos tempos...”

    É necessário sabedoria, sagacidade para descobrir, nos sinais do dia-a-dia  a presença de um Deus que se coloca ao nosso lado e nos convoca. Diante de cada sinal, de cada manifestação, é preciso estar atento para dar uma resposta positiva, inteligente e adequada.
    Não podemos agir e reagir diante do mundo de hoje com os mesmos argumentos e instrumentos do passado. Para isto é necessário estar preparados e atentos. A vida Religiosa, o Evangelho e a Pessoa de Jesus Cristo exigem atenção, prontidão e presteza.
“e os clamores dos excluídos”.
    Qual é o alvo preferencial de nossas pregações e ações? Estamos de fato comprometidos com a causa dos pequenos, dos excluídos?
Lembremos que a Igreja da América Latina fez “opção preferencial pelos pobres”. Somos parte dessa Igreja. É verdade que há ricos de bens materiais e que sofrem toda a espécie de outras privações. Mas isto não pode ser pretexto para fugirmos dos pobres, materialmente.
     Lembremos o diz São Francisco: “...e devem ficar alegres quando estiverem entre as pessoas de pouca consideração e desprezadas, entre os pobres e fracos, entre os enfermos e leprosos e entre os mendigos ao longo da estrada” (Rnb.9).
“...em comunhão eclesial...”

    A nossa atividade, a nossa vida religiosa, a nossa prática do franciscanismo, não pode se opor nem prescindir da Igreja. Somos, acima de tudo, “Igreja de Jesus Cristo”. Estamos ainda celebrando os “oitocentos anos” do Carisma Franciscano, que nada mais é do que a recordação daquele momento em que Francisco recebe do Papa a autorização e a bênção para viver a sua proposta. Se quisermos ser franciscanos precisamos ser católicos, pois Francisco fez questão de sê-lo.  
      Somente com estas condições poderemos de fato...
“edificar o Reino de Deus no Paraná e Santa Catarina”.


                                             Curitiba, 22 de abril de 2009.

                                           Fr. Davi N. Barboza OFMCap
                                                                      Ministro Provincial

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