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Por José Ariovaldo da Silva, ofm Nas
festas juninas... A
Liturgia que celebramos O Catecismo da Igreja Católica vê a Liturgia como "obra da Santíssima Trindade" (cf. nn. 1077-111). Então a gente se pergunta: Qual a Liturgia que celebramos por ocasião das festas juninas? Em outras palavras: qual a obra da Trindade que celebramos?... Uma
primeira obra que pode nos vir à mente é a própria
realidade dos santos celebrados: eles são obra de Deus. Por isso
que, no dia de Santo Antônio, se reza logo no início da
missa: "Ó Deus..., que destes Santo Antônio ao vosso
povo como insigne pregador e intercessor em todas as dificuldades...":
Santo Antônio é obra de Deus! Na festa de São João
(dia em que comemoramos o nascimento de São João Batista),
a oração começa assim: "Ó Deus, que
suscitastes São João Batista, a fim de preparar para o
Senhor um povo perfeito...": São João é obra
de Deus! E, na festa dos apóstolos São Pedro e São
Paulo, iniciamos a oração com estas palavras: "Ó
Deus, que hoje nos concedeis a alegria de festejar São Pedro
e São Paulo...": São Pedro e São Paulo são
obra de Deus! A alegria de celebrar estes dois grandes santos (bem como
Santo Antônio e São João) é obra de Deus:
do Pai, pelo Filho, no Espírito Santo. Divina Liturgia! E tem mais! Santo Antônio foi ungido pelo Senhor e enviado para anunciar a boa nova aos pobres (cf. Is 61 ,1-3: Leitura do dia). Como tal, tornou-se um eterno cantor do amor do Senhor (cf. Sl 88: Salmo responsorial do dia), um dos "poucos" trabalhadores da grande messe (cf. Lc 10,1-9: Evangelho do dia). De São João Batista, Deus fez luz das nações (cf. Is 49,1-6: 1a leitura do dia), transformando-o num hino de louvor e ação de graças por tê-lo formado "de modo admirável" (cf. Sl 138: Salmo responsorial do dia), fazendo dele insigne pregador de um batismo de conversão (cf. At 13,22-26: 2a leitura do dia): seu nome só tinha que ser João (cf. Lc 1,57-66.80: Evangelho do dia)! Quanto a São Pedro, apelidado de "rocha" pelo Senhor, recebeu "as chaves do Reino dos Céus" (cf. Mt 16,13-19: Evangelho do dia); liberto da prisão pelo anjo do Senhor (cf. At 12,1-11: 1a leitura do dia), nós podemos com ele cantar: "De todos os temores me livrou o Senhor Deus" (cf. Sl 33: Salmo responsorial do dia); e Paulo, por sua vez, depois de cumprida a missão que lhe dera o Senhor, podia exclamar agradecido e esperançoso: "Agora está reservada para mim a coroa de justiça" (cf. 2Tm 4,6-8.17-18: 2a leitura do dia). Tudo obra de Deus que celebramos... E a razão última de tudo está no próprio mistério pascal de Jesus Cristo vivido na celebração da divina Liturgia: a maior obra da Trindade. A vida, morte, ressurreição e dom do Espírito de Cristo é que fez de Santo Antônio, São João Batista e São Pedro e São Paulo grandes santos, dignos de admiração, motivo de alegria e exemplo para todos nós. Por isso que, na oração eucarística da missa, ao ouvir a narração do mistério central de nossa fé, todo o povo proclama (de preferência até cantando): "Anunciamos, Senhor, a vossa morte, proclamamos a vossa Ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!". Na hora da comunhão, participamos desta Páscoa de Cristo, comendo do seu Corpo entregue e bebendo do seu Sangue derramado. Assim, a exemplo de Santo Antônio, podemos viver "em contínua ação de graças" (cf. oração depois da comunhão: dia 13/06); a exemplo de São João Batista podemos "reconhecer no Cristo, por ele anunciado, aquele que nos faz renascer" (idem: dia 24/06); e, enfim, "perseverando na fração do pão e na doutrina dos Apóstolos, e enraizados no amor de Deus, podemos ser "um só coração e uma só alma" (idem: dia 29/06). Eis a Liturgia que celebramos por ocasião das festas juninas. Enquanto o povo, em seus folguedos lá na rua, na praça, no salão, se alegra feliz e jocosamente, tendo como motivo de fundo Santo Antônio, São João, São Pedro e São Paulo, santificados pelo mistério de Deus, a Igreja reserva um momento especial (ou momentos especiais) para celebrar a raiz e fonte última das festas: a Palavra viva de Deus e a Ceia memorial do Senhor que, pelo seu Espírito, nos salva, nos alegra e nos fortalece em comunhão com seus santos. |
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