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Solenidade da Assunção de Maria


O Dogma

Foi definido em 1° de novembro de 1950, por Pio XII, há sessenta anos, porém proclamado pelos cristãos católicos há quinze séculos.

Durante esse longo período, o dia escolhido foi o quinze de agosto, com raras variantes de datas. Hoje, na liturgia renovada, e de modo particular no Brasil, é celebrada no Domingo seguinte. Sendo dia quinze de agosto Domingo, então será celebrada a solenidade no mesmo dia. Neste ano, é celebrada no dia 19 de agosto.

O "cheia de graça" foi o ponto de partida privilegiado, o fundamento para definição dos dogmas da Imaculada Conceição, da Assunção e de quase todas as prerrogativas de Maria. A maternidade divina foi a primeira definição proclamada no Concílio de Éfeso, há precisamente quinze séculos, era o ano de 431.

No decorrer da história, chegou-se a pensar que Maria tivesse sido isenta não só do pecado original e a corrupção (privilégios definidos pela Igreja com os dogmas da Imaculada e da Assunção): chegava-se até a isentar Maria das dores do parto, de cansaço, dúvidas, ignorância e finalmente, o mais grave, até da morte. De fato, para alguns Maria teria sido levada ao céu sem passar pela morte. Tudo isso, pensava-se, é conseqüência do pecado, e Maria não tinha pecado. Com isso, em lugar de associar Maria a Jesus simplesmente, dele a dissociava, Ele que não teve pecado, para nosso proveito, quis experimentar tudo isso: cansaço, dor, angustia, tentação e a morte. (Raniero Cantalamessa em "Maria, um espelho para a Igreja", p.72). A fé na assunção de Maria era tão grande que chegava a esses extremos. Sem dúvida, após a Ascensão de Jesus, Maria devia suspirar estar junto dele. Ora, ele subiu ao céu com a carne que dela recebera em seu ventre, agora carne glorificada, imortal.

Kiergaard, filósofo e protestante (evangélico) escreveu: "Podem os doutos discutir sobre a assunção de Nossa Senhora; para mim não parece incompreensível porque ela já não pertencia ao mundo" ("Diário de um sedutor"; trad. Italiana Rizzoli Milão. 1955, p.46).

Com a "Constituição Apostólica Munificentissimus Deus", de Pio XII, ficou definido o Dogma da Assunção de Maria ao céu em corpo e alma. Fundamentando-se nas homilias e orações do povo na festa da Assunção, Pio XII lembra os Santos Padres e grandes Doutores da Igreja que dela falaram como uma festa já conhecida e aceita.

Depois de discorrer sobre os privilégios de Maria, generosa companheira do divino Redentor, obteve o triunfo sobre o pecado e suas conseqüências, foi liberada da corrupção de sepulcro como suprema coroa de seus privilégios. Semelhantemente a seu Filho, uma vez vencida a morte, foi levada em corpo e alma à glória celeste, onde, rainha, refulge à direita de seu Filho, o imortal rei dos séculos.

"A Assunção é a conclusão lógica da vida de Maria, como é a meta de nossa pequena história, desfecho inevitável dos que caminham na esperança e na fé. Meta daqueles que guardaram o mandamento do amor em plena fidelidade".

Eliseu, vendo Elias arrebatado no carro de fogo, fez-lhe o seguinte pedido: sejam-me concedidas duas partes do teu espírito (2Rs 2,9).

Nós ousamos pedir ainda mais a Maria, nossa mãe e mestra: que todo teu espírito, ó Mãe, torne-se nosso! Esteja em cada um de nós a alma de Maria para glorificar o Senhor, esteja em cada um de nós o espírito de Maria para exultar em Deus ("Maria, espelho da Igreja", página final).

Frei José Pinto Ribeiro


Espiritualidade

«Resplandece a Rainha, Senhor, à Vossa dextra!».

A solenidade que celebramos põe-nos diante do fúlgido ícone da Assunção da Virgem ao céu, na integridade da alma e do corpo. No esplendor da glória celeste brilha Aquela que, em virtude da sua humildade, se fez grande diante do Altíssimo, a ponto de todas as gerações a chamarem bem-aventurada (cf. Lc 1, 48). Agora senta-se como Rainha ao lado do Filho, na eterna bem-aventurança do paraíso e do Alto olha para os seus filhos.

Com esta consoladora certeza, dirigimo-nos a Ela e invocamo-la para aqueles que são os seus filhos: para a Igreja e para toda a humanidade, a fim de que todos, imitando-a no fiel seguimento de Cristo, possam alcançar a pátria definitiva do céu.

«Resplandece a Rainha, Senhor, à Vossa dextra!».

Primeira entre os remidos pelo sacrifício pascal de Cristo, hoje Maria resplandece como Rainha de todos nós, peregrinos rumo à vida imortal.

N'Ela, que foi elevada ao céu, é-nos manifestado o eterno destino que nos aguarda para além do mistério da morte: destino de felicidade total, na glória divina. Esta perspectiva sobrenatural sustém a nossa peregrinação quotidiana. Maria é a nossa Mestra de vida. Olhando para Ela, compreendemos melhor o valor relativo das grandezas terrenas e o pleno sentido da nossa vocação cristã.

Desde o nascimento até à gloriosa Assunção, a sua existência desenrolou-se ao longo do itinerário da fé, da esperança e da caridade. São estas as virtudes, florescidas em um coração humilde e abandonado à vontade de Deus, que adornam a sua preciosa e incorruptível coroa de Rainha. São estas as virtudes que o Senhor pede a cada fiel, para o admitir na glória da Sua própria Mãe.

O texto do Apocalipse, fala do enorme dragão vermelho que representa a perene tentação que se apresenta ao homem: preferir o mal ao bem, a morte à vida, o prazer fácil do desempenho à exigente mas saciante via de santidade para a qual cada homem foi criado. Na luta contra «o grande Dragão... a antiga Serpente, o Diabo ou Satanás, como lhe chamam, o sedutor do mundo inteiro» (Ap 12, 9), aparece o grandioso sinal da Virgem vitoriosa, Rainha de glória, sentada à direita do Senhor.

E nesta luta espiritual, a sua ajuda à Igreja é determinante para alcançar a vitória definitiva contra o mal.

«Resplandece a Rainha, Senhor, à Vossa dextra!».

Maria brilha sobre a terra, «enquanto não chegar o dia do Senhor... como sinal de esperança segura e de consolação aos olhos do povo peregrinante de Deus» (Lumen gentium, 68). Como Mãe solícita de todos, sustém o esforço dos crentes e encoraja-os a perseverar no empenhamento. Penso aqui de maneira muito particular nos jovens, que estão mais expostos ao fascínio e às tentações de mitos efémeros e de falsos mestres.

Queridos jovens, olhai para Maria e invocai-a com confiança! Maria oferecer-vos-á a ocasião de experimentar mais uma vez a sua solicitude materna. Maria ajudar-vos-á a sentir-vos parte integrante da Igreja, encorajando-vos a não ter medo de assumir as vossas responsabilidades de testemunhas credíveis do amor de Deus.

A Virgem É elevada ao céu e mostra-vos aonde conduzem o amor e a plena fidelidade a Cristo na terra: até à alegria eterna do céu.

Maria, Mulher revestida de sol, diante dos inevitáveis sofrimentos e das dificuldades quotidianas, ajuda-nos a fixar o olhar em Cristo.

Ajuda-nos a não ter medo de O seguir até ao fim, mesmo quando o peso da Cruz nos parecer excessivo. Faz-nos compreender que só este é o caminho que leva ao ápice da salvação eterna.

E do céu, onde resplandeces como Rainha e Mãe de misericórdia, vela sobre cada um dos teus filhos.

Orienta-os a amar, adorar e servir a Jesus, o bendito fruto do teu seio, ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria!

 

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